Onde a literatura encontra a clínica.
Textos na interseção entre literatura, filosofia, arte e psicanálise. Não são resenhas nem manifestos — são tentativas, no sentido que Montaigne deu ao ensaio: aproximações ao que ainda não tem forma acabada, pensamento que se constrói enquanto avança.
Freud reconheceu que os poetas e filósofos descobriram o inconsciente antes dele. Cada ensaio parte de uma obra, de um conceito, de uma tensão entre campos — e pergunta o que ali se torna pensável.
A Dádiva Suspensa: o caffè sospeso e a generosidade que Nietzsche não condenaria
O café pago e deixado à espera de um desconhecido — o único gesto de generosidade que atravessa ileso a crítica mais severa de Nietzsche à bondade.
Da aspiração não realizada ao trabalho de luto: uma leitura psicanalítica da curva em U do bem-estar
Por que a satisfação com a vida desce até a meia-idade e depois volta a subir — lida como um trabalho de luto pela imagem que não se realizou.
A cesta e o olhar: confiança, desempenho e o veredicto do Outro
O que um experimento sobre reforço e performance revela sobre o modo como o olhar alheio decide, em silêncio, aquilo de que somos capazes.
Quem é você quando já não precisam de você? A utilidade como identidade e a armadilha do falso self
A suspeita, comum em quem lidera, de que a própria existência precisa ser merecida pela utilidade — e o custo de viver assim.
Rubião e a ferida do útil: uma leitura psicanalítica de Quincas Borba
A fome de ser amado que aceita qualquer coisa parecida com amor — admiração que é interesse, amizade que é estratégia — em Machado de Assis.
Viciado no próprio mal-estar: o gozo do sofrimento e a coragem de mudar
O sintoma que reclama de si em voz alta mas, no silêncio, não quer ir embora — e os serviços secretos que ele presta a quem sofre.
O morto que fala: Memórias Póstumas de Brás Cubas e o inconsciente que Freud ainda não nomeara
Onze anos antes de Freud, Machado inventa um narrador impossível — e com ele um ponto de fala que a psicanálise levaria décadas para articular.
A arte como espaço de simbolização: contribuições da psicanálise para a saúde mental
Muito antes de existir uma ciência da alma, o humano já dava contorno ao que o afligia pela tragédia, pela música, pela pintura.
Psicanálise e a crise da meia-idade
A regularidade em forma de U que os pesquisadores observam no bem-estar — e o que a clínica tem a dizer sobre o seu ponto mais baixo.
O peso da liberdade: o que Sartre pode nos ensinar sobre as escolhas que evitamos
E se parte do impasse não estiver só nas circunstâncias, mas na liberdade que temos diante delas — e que preferimos não encarar?
O desespero de ser quem não somos: uma reflexão a partir de Kierkegaard
O desespero que não se percebe: aquele que se instala em silêncio na vida bem-sucedida, admirada e produtiva.
Muitos destes textos nasceram da clínica.
Se algum deles falou de você, talvez valha uma primeira conversa — sem compromisso.